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Maus
exemplos, bons exemplos.
Há alguns anos ouvi em um discurso de uma pessoa cujo trabalho eu muito
admiro, uma frase lapidar. Ela discursava no lançamento de um projeto nacional
de combate às drogas e começou falando da hipocrisia da sociedade que prega
contra as drogas, tendo um cigarro em uma das mãos e um copo de uísque na
outra, 2 drogas das mais perniciosas que apesar de legalizadas, não deixam de
ser drogas e ela disse “não
há nada pior do que um bom conselho..........seguido de um mau
exemplo”.
Essa
frase teve tal impacto em mim que a repito com freqüência nos cursos e
treinamentos que ministro, citando a fonte: Profa. Helena Gasparini. Esse
impacto foi causado pelo alcance que ela tem em todas as circunstancias da vida,
sendo uma releitura do conhecido refrão “uma imagem vale por mil palavras”
e considerando que o homem aprende por imitação e repetição, o exemplo que
damos tem muito mais peso do que o discurso que fazemos. O sussurro de nossos
exemplos impede que sejam ouvidos os gritos das nossas pregações.
Que
força tem o padre que prega com um belo sermão contra os pecadores e que se
descobre ser pedófilo? Que moral tem o dublê de bispo evangélico / deputado
para falar em ser guia espiritual de alguém após ser flagrado desviando
dinheiro na compra de ambulâncias? Qual a confiança que podemos depositar na
imparcialidade do Juiz, sobre o qual recaem denúncias de corrupção, por mais
bonitos que sejam seus despachos?
Essas
indagações dizem respeito a eventos presentes na mídia, mas a questão dos
exemplos alcança mais longe: grande parte dos homens que espancam suas esposas
tinham pais que faziam o mesmo e a lógica é assustadora “se meu pai batia em
minha mãe, esta é a forma correta de se tratar a mulher”. A obesidade
infantil explodindo no mundo
moderno nada mais é do que o reflexo do exemplo dos hábitos alimentares de
seus pais e amigos e é muito difícil conseguir uma mudança consistente para a
perda de peso, se não houver modificação exemplar dos hábitos familiares.
A
identidade sexual é um aprendizado. A menina aprende a ser “mulher” na
observação da mãe e de outras referencias femininas e ela tenderá a imitá-las
naquilo que lhe parece mais agradável ou adequado. Mães pouco afetivas criarão
filhas pouco afetivas, mães gritonas tenderão a gerar filhas gritonas, num
circulo vicioso que permeia as gerações. O menino aprende a ser “homem”
com o pai e outras figuras masculinas que escolhe como referência. Se seu pai
foi ofensivo e rude ele tenderá a imitar esse comportamento quando adulto, se o
pai foi ausente ele terá mais dificuldade em estabelecer relacionamentos
profundos e estáveis e assim se forma o caldo de cultura onde crescem as
insatisfações humanas. As conseqüências são a perpetuação e
aprofundamento dos erros do passado, cujo exemplo mais gritante é a corrupção
reinante em altas esferas do poder público e que nos leva a suspeitar que o
Presidente da República foi otimista quando disse haver “300 picaretas no
Congresso”.
A
observação do exemplo, inconsciente na criança, passa a ser uma obrigação
consciente para o adulto. Para mudarmos o mundo temos que mudar a nós mesmos e
devemos fazê-lo ao observar exemplos negativos, aprender o que não fazer,
ficarmos alertas para não repetir os maus hábitos e costumes familiares ou de
nosso grupo social e também aprendermos a observar os exemplos positivos, para
repeti-los e melhorá-los.
Lamentavelmente, as referências positivas de exemplo estão sendo
escondidas pela imensidão dos negativos, resultado de anos de inconsciência e
inconseqüência, frutos de uma visão egoísta e egocêntrica calcadas na
famosa “Lei de Gérson”, de querer levar vantagem em tudo sem se preocupar
com o que acontecerá á nós mesmos e ao nosso mundo, como resultado de nossas
atitudes e ao escolher dirigentes, temos oportunidades de mudança: devemos
buscar conhecer a vida dos candidatos, mais que seus discursos ou propostas.
Saber como tratam seus negócios pessoais, como é sua convivência familiar,
com que respeito e consideração tratam os auxiliares imediatos,etc. Isso nos
fala dos valores humanos, que são mais importantes do que sua capacidade técnica
ou gerencial. Dr.
José Roberto C. Souza Médico Homeopata
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