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"Quem
ama, educa!"
Içami
Tiba
Quem
ama, educa! O livro de Içami Tiba tornou-se referência nos debates mais
atualizados sobre diálogo e sobre a falta dele entre pais e filhos,
comportamento da juventude e papel da escola contemporânea diante das
aceleradas modificações sociais e culturais processadas no final do século XX
e no início do século XXI. Psiquiatra há 36 anos, Tiba é autor de outras
obras capitais para percorrer o labirinto em que se transformou o relacionamento
intergeracional, como Disciplina, limite na medida certa e Anjos caídos –
como prevenir e eliminar as drogas da vida de um adolescente.
Aos 64 anos e dono de uma visão profunda e moderna sobre os desafios que a
educação impõe a pais, filhos, psicólogos, pedagogos e profissionais de
diversas outras áreas, lança em setembro o seu 16º livro: Adolescentes: Quem
ama, educa!. “O estrondoso sucesso de Quem ama, educa!, na lista da revista
Veja por dois anos, em 2003 e em 2004, como o livro sobre
Educação mais vendido do País, me deu forças para terminar o projeto
de escrever uma obra que atingisse a educação dos adolescentes, reforçado
pelos pedidos de muitos leitores”, conta Tiba.
Nesta entrevista, ele expõe seus pontos de vista sobre educação dos filhos e
destaca que o principal do processo educativo é a formação de um indivíduo
constituído de pelo menos quatro valores necessários à convivência em
sociedade: gratidão, disciplina, cidadania e ética. “São valores que começam
a ser construídos com uma boa educação em casa”, afirma.
Porque
trabalham fora, os pais têm cada vez menos tempo para ficar com os filhos. Como
orientar, então, os filhos em relação a questões complexas como drogas e
sexo?
A
criança convive, hoje, cada vez menos com os pais. Antes a convivência
permanente era pelo menos até os 6, 7 anos, hoje é até os dois anos, quando
começa a escola e porque os pais trabalham fora.
Então a formação não depende mais só do cromossomo, mas do como somos, e
isso abrange do como somos da TV, da convivência com outras pessoas, com o
colega de classe. Então, mesmo que não haja convivência, é importante que,
como parte do processo educativo, pai e mãe acompanhem a vida dos filhos,
procurando tomar ciência do que aconteceu durante sua ausência. Se o filho de
10 anos está na casa de um amigo, é telefonar para os pais desse amigo e
oferecer ajuda, se necessário. É importante a formação de uma rede de pais,
e não só a rede de amigos estruturada por parte dos filhos.
Uma das
grandes dúvidas atuais é sobre como estabelecer limites. O que fazer, de novo
considerando a ausência dos pais durante boa parte do tempo por causa do
trabalho?
Essa dúvida remete à questão da autoridade. Os pais não devem temer a
busca da autoridade, com o medo de perder o amor dos filhos. Quando isso ocorre,
os pais acabam “engolindo sapos”, ou seja, engolindo os princípios que eles
mesmos passaram para os filhos. Com isso, os filhos entendem que os pais não se
respeitam e passam também a não respeita-los. Engolir sapos é uma atitude
deseducativa e uma grande passo para a formação de filhos tiranos, sem noção
de limites e que não são cidadãos. Os tiranos são filhos de pais folgados,
que perderam os parâmetros educativos e não cobram dos filhos a
responsabilidade pelo que eles, filhos, fazem.
Em
termos de prevenção às drogas, outro dilema para os pais que passam boa parte
do tempo fora de casa, qual a melhor postura?
A geração passada, que hoje está com seus mais de 30 anos, foi educada
mais ou menos sem limites. Bastava ser gostoso para ser bom, não havia custo em
nome do prazer. Hoje a perspectiva mudou, e a idade para usar drogas está
diminuindo. Há 10 anos adolescentes com 15 anos usavam drogas, há cinco anos,
os de 12, e hoje, crianças de 10 anos usam drogas, e a estrutura neurológica
de uma criança de 10 anos é diferente daquela que tem 12. Isso é muito grave.
È fundamental que os pais estejam atentos para o comportamento dos filhos, pois
os usuários de drogas conseguem encontrar múltiplos disfarces para esconder
esse uso, como mostro em meu livro Anjos caídos. Se os pais desconfiarem, é
importante a atitude adequada, sem os riscos do agir por impulso. E é sempre
recomendável a consulta a um especialista.
Deve-se lembrar ainda que somente o amor não educa. A educação verdadeira
ocorre quando a criança assume desde cedo a responsabilidade pelo que faz. Por
tudo isso, é importante que haja o comportamento, com os pais procurando saber
onde o filho andou, o que fez, para que se garanta o principal do processo
educativo, no qual a família tem papel primordial: a formação do cidadão.
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