Que o momento atual tem sido bastante desafiador para a comunidade escolar em geral, todo mundo já percebeu. O isolamento social caiu sobre todos nós de paraquedas, não nos dando tempo hábil para analisar e refletir sobre os efeitos desse contexto sobre a nossa rotina, nossos papéis e nossas atividades cotidianas. Agora, não temos mais escolha. Precisamos aprender a navegar por essa tempestade com o barco em movimento.  

Para entender mais sobre as melhores formas de lidar com o isolamento social, o diretor geral do SAS João Cunha recebeu o navegador e escritor Amyr Klink para uma conversa inspiradora e honesta, refletindo sobre importantes pontos que podem nos auxiliar a navegar com maestria, durante essa árdua travessia. 

O que temos observado entre gestores escolares mais experientes, no último mês, é uma resposta comum à contínua crise. Agilidade no desenvolvimento de projetos que, por meio da tecnologia, consigam reduzir o distanciamento social e manter o processo de ensino-aprendizagem do aluno em dia. Soluções estas que buscam transformar escolas em muito mais do que salas de aula remotas, mas em sistemas que permitem interação entre escola e aluno. 

“É preciso lembrar que, quando entra água em um barco, ele afunda. Somente o senso de urgência pode te deixar vivo. No mar, não tem espaço para cortar caminho. Não há lugar para esperteza. Não se pode fugir do problema, é preciso dormir e acordar com ele. Cabotei algumas vezes, depois aprendi a segurar o medo, a ansiedade… Agora, estamos cada um em seu barco, mas temos o mesmo problema, juntos. Um confinamento dinâmico.” — Amyr Klink 

Para nós, a expectativa é de encontrar, pelo caminho, águas correntes, fluidas, até que as coisas, finalmente, se estabilizem em um novo formato. Entretanto, a resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples, é óbvia, mas difícil de aceitar. A resposta é: “Talvez nunca”.  

Segundo Amyr, catástrofes globais nos levam a refletir sobre o antes e o depois do mundo. Esta pandemia não é diferente, e ele foi categórico: mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o seu legado vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e como nos conectamos com as coisas e uns com os outros.  

E é por essa razão que gestores, educadores, colaboradores, familiares, enfim, todos, mais do que nunca, precisam de estabilidade emocional para conseguir superar todos os desafios que o cenário atual impõe. 

Ter senso de priorização e focar no mais importante para nossos alunos, por exemplo, é uma maneira de seguir com o propósito de oferecer educação de excelência, conforme aponta João Cunha. Segundo ele, vencer as barreiras da comunicação e passar mensagens bem direcionadas para colaboradores e público externo demonstram segurança na tomada de decisões e minimizam a sensação de que estamos isolados.  

Dessa forma, disciplina, pertencimento e colaboração são valores essenciais para juntarmos esforços em busca de respostas tangíveis, diante da profunda escassez de soluções prontas. Investir em uma cultura organizacional bem estruturada demonstra, portanto, braços fortes para remar contra grandes correntezas, uma vez que músculos resistentes se formam com repetição e disciplina. Uma cultura forte demonstra preparo, consistência e gera credibilidade. 

Atualmente, habilidades socioemocionais podem ter mais força do que recursos tecnológicos e financeiros. Força, resiliência, coragem e criatividade são fatores que podem se fortalecer em situações de risco e escassez, como a que vivemos.  

Da conversa entre João e Amyr, conseguimos tirar algumas lições

  • Uma rotina bem estruturada é uma necessidade biológica do ser humano. Mesmo diante da impermanência e de cenários incertos, estabelecer um ritmo constante gera um compasso para o embate, para a sobrevivência, para o que é essencial no momento.  
  • Embarcar em uma expedição tempestuosa como estar com sua família é capaz de trazer um aprendizado sobre a grandeza da responsabilidade pelo outro, por meio da convivência física e emocional. Senso de coletividade e empatia estão se restabelecendo de uma maneira muito mais consistente entre as pessoas. 
  • Para o bem-estar emocional de gestores e mantenedores, é preciso estabelecer um plano de metas, mesmo que não saibamos bem o número exato a se atingir. 
  • Não importa o perfil da família: todos terão que formar um time forte para enfrentar as próximas semanas ou meses. É preciso criar uma rede sustentável de apoio social, uma vez que escolas e famílias seguras traduzem mais estabilidade para adaptações. 

“Durante 15 ou 20 anos, fiz a maior parte das viagens sozinho e, de certa maneira, fui muito feliz porque nunca tive um acidente grave… Com a minha família, foi muito mais difícil, porque percebi que, antes, tinha muito mais responsabilidade pela minha própria existência e pelo barco do que quando passei a ter minha família nesse ambiente de altíssimo risco e alto grau de imprevisibilidade… Essa noção de responsabilidade pelo outro traz um peso muito grande pra gente.” — Amyr Klink 

Estamos conscientes da tempestade que estamos enfrentando. No SAS, nossos desafios vão desde identificar e cobrir as necessidades mais urgentes de nossas escolas parceiras, alunos e pessoas até prever soluções sustentáveis que vão permanecer mesmo no pós-pandemia. E, sim, temos a segurança de que vamos juntos fazer uma escola melhor, já que mar calmo nunca fez um bom marinheiro.